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O Estrangeiro

👤 Veloso, Caetano 🎼 Estrangero ⏱️ 6:18
🎵 2327 characters
⏱️ 6:18 duration
🆔 ID: 11634088

📜 Lyrics

O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara
O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
A Baía de Guanabara
O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Baía de Guanabara
Pareceu-lhe uma boca banguela

E eu menos a conhecera, mais a amara
Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela
O amor é cego, Ray Charles é cego, Stevie Wonder é cego
E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem

Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem, uma arara
Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
Em que se passara, passa, passará o raro pesadelo
Que aqui começo a construir, sempre buscando o belo e o amaro

Eu não sonhei
A praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e óleo diesel sob meus tênis
E o Pão de Açúcar menos óbvio possível à minha frente
Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas

A áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura
Do branco das areia e das espumas
Que era tudo quanto havia então de aurora

Estão às minhas costas, um velho com cabelos nas narinas
E uma menina ainda adolescente e muito linda
Não olho pra trás mas sei de tudo
Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo

Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
Nem os dentes quase não púrpura da menina
Pense Seurat e pense impressionista
Essa coisa da luz nos brancos dentes e onda
Mas não pense surrealista que é outra onda

Eu ouço as vozes
Os dois me dizem
Num duplo som
Como que sampleados num sinclavier

É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do espírito Santo amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho, adulto, branco, sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos

E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
E entendo o centro do que estão dizendo
Aquele cara e aquela

É um desmascaro
Singelo grito
O rei está nú, mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú

E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo

Some may like a soft brazilian singer
But I've given up all attempts at perfection

⏱️ Synced Lyrics

[00:02.01] O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara
[00:03.96] O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
[00:10.49]
[00:12.89] A Baía de Guanabara
[00:16.57] O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Baía de Guanabara
[00:24.86] Pareceu-lhe uma boca banguela
[00:29.20]
[00:37.23] E eu menos a conhecera, mais a amara
[00:42.94] Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
[00:49.50] O que é uma coisa bela
[00:53.19] O amor é cego, Ray Charles é cego, Stevie Wonder é cego
[01:06.25] E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem
[01:12.40] Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem, uma arara
[01:19.33] Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
[01:25.28] Em que se passara, passa, passará o raro pesadelo
[01:30.52]
[01:33.12] Que aqui começo a construir, sempre buscando o belo e o amaro
[01:39.89]
[01:44.86] Eu não sonhei
[01:49.36] A praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e óleo diesel sob meus tênis
[01:53.77] E o Pão de Açúcar menos óbvio possível à minha frente
[01:59.42] Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas
[02:08.25] A áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura
[02:13.74] Do branco das areia e das espumas
[02:18.22] Que era tudo quanto havia então de aurora
[02:23.07]
[02:26.64] Estão às minhas costas, um velho com cabelos nas narinas
[02:30.91] E uma menina ainda adolescente e muito linda
[02:37.32]
[02:42.00] Não olho pra trás mas sei de tudo
[02:49.71] Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
[02:58.23] Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
[03:05.34] Nem os dentes quase não púrpura da menina
[03:10.30] Pense Seurat e pense impressionista
[03:14.79] Essa coisa da luz nos brancos dentes e onda
[03:19.38] Mas não pense surrealista que é outra onda
[03:26.35] Eu ouço as vozes
[03:29.70] Os dois me dizem
[03:34.03] Num duplo som
[03:37.45] Como que sampleados num sinclavier
[03:43.77] É chegada a hora da reeducação de alguém
[03:49.79] Do Pai do Filho do espírito Santo amém
[03:57.29] O certo é louco tomar eletrochoque
[04:01.75]
[04:05.40] O certo é saber que o certo é certo
[04:10.40]
[04:16.99] O macho, adulto, branco, sempre no comando
[04:22.02]
[04:25.56] E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
[04:34.04] Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
[04:40.39]
[04:42.70] Riscar os índios, nada esperar dos pretos
[04:51.59] E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
[04:57.73] Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
[05:03.90] E entendo o centro do que estão dizendo
[05:07.97] Aquele cara e aquela
[05:13.50] É um desmascaro
[05:17.38] Singelo grito
[05:21.30] O rei está nú, mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú
[05:30.84] E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
[05:38.10] E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo
[05:45.41]
[05:49.22] Some may like a soft brazilian singer
[05:55.72]
[06:04.99] But I've given up all attempts at perfection
[06:08.92]

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