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Pedro Pedreiro Parou de Esperar

👤 BRAZA 🎼 BRAZA ⏱️ 2:50
🎵 1632 characters
⏱️ 2:50 duration
🆔 ID: 11829673

📜 Lyrics

Eu andei sem nada pelo mundo
Eu dependi da classe mais pobre dos mais pobres
Que vencedor que nada, eu não 'to aqui pra competir
Quem é que disse que a vida é uma competição?
Aí compete marido com mulher, vizinho com vizinho
Irmão com irmão, colega com colega
E nessa sociedade competitiva
A minha derrota é a minha vitória
Nasci pobre, favelado, sem recato e sem madrinha
Vi meu pai estuprar minha mãe, muito doido de farinha
Logo cedo fui pro mundo, assaltar, catar latinha
Tinha sangue nos meus olhos porque a raiva me convinha
Cresci na rua e vi a crua crueldade do animal
De cimento fiz a cama e de grades meu varal
Desprovido e excluído no sentido literal
Menos apto segundo o darwinista social
Aos vinte veio a sorte num abrigo milagreiro
Onde aprendi as letras e o ofício de pedreiro
Acordava ainda escuro, no flagelo por dinheiro
Não esperava do futuro o alívio derradeiro
Construí um shopping onde eu nunca passeei
Prédios e escolas onde eu nunca estudei
Ao lado de Mariléia eu formei uma família
E o amor que nunca tive, vi nos olhos da minha filha
No mar competitivo meu lar era uma ilha
Até que um dia o infortúnio cruzou a minha trilha
Canelas pretas e blindados invadindo a favela
Gritaria, moto-taxis, confronto na viela
Um senhor de braços fortes como um escravo de benguela
Agonizava nos meus braços, alvejado na costela
Toda a minha vida e o que vira até então
Fez sentido nas palavras desse velho ancião
Vítimas e algozes, todos somos, todos são
Nas metrópoles em chamas, irmão contra irmão
Não espero mais a morte, nem o norte nem o trem
Eu me chamo Pedro, e você sou eu também

⏱️ Synced Lyrics

[00:02.39] Eu andei sem nada pelo mundo
[00:06.74] Eu dependi da classe mais pobre dos mais pobres
[00:11.59] Que vencedor que nada, eu não 'to aqui pra competir
[00:15.97] Quem é que disse que a vida é uma competição?
[00:18.80] Aí compete marido com mulher, vizinho com vizinho
[00:21.07] Irmão com irmão, colega com colega
[00:25.05] E nessa sociedade competitiva
[00:27.67] A minha derrota é a minha vitória
[00:52.82] Nasci pobre, favelado, sem recato e sem madrinha
[00:55.28] Vi meu pai estuprar minha mãe, muito doido de farinha
[00:58.01] Logo cedo fui pro mundo, assaltar, catar latinha
[01:00.62] Tinha sangue nos meus olhos porque a raiva me convinha
[01:03.38] Cresci na rua e vi a crua crueldade do animal
[01:05.84] De cimento fiz a cama e de grades meu varal
[01:08.54] Desprovido e excluído no sentido literal
[01:11.23] Menos apto segundo o darwinista social
[01:14.04] Aos vinte veio a sorte num abrigo milagreiro
[01:16.68] Onde aprendi as letras e o ofício de pedreiro
[01:19.26] Acordava ainda escuro, no flagelo por dinheiro
[01:21.91] Não esperava do futuro o alívio derradeiro
[01:24.80] Construí um shopping onde eu nunca passeei
[01:30.02] Prédios e escolas onde eu nunca estudei
[01:46.27] Ao lado de Mariléia eu formei uma família
[01:48.63] E o amor que nunca tive, vi nos olhos da minha filha
[01:51.36] No mar competitivo meu lar era uma ilha
[01:53.95] Até que um dia o infortúnio cruzou a minha trilha
[01:56.66] Canelas pretas e blindados invadindo a favela
[01:59.15] Gritaria, moto-taxis, confronto na viela
[02:02.00] Um senhor de braços fortes como um escravo de benguela
[02:04.66] Agonizava nos meus braços, alvejado na costela
[02:07.35] Toda a minha vida e o que vira até então
[02:09.99] Fez sentido nas palavras desse velho ancião
[02:12.52] Vítimas e algozes, todos somos, todos são
[02:15.30] Nas metrópoles em chamas, irmão contra irmão
[02:18.13] Não espero mais a morte, nem o norte nem o trem
[02:23.20] Eu me chamo Pedro, e você sou eu também

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