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Desafio do Auto da Catingueira

👤 Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai 🎼 Cantoria 1 (Live) ⏱️ 8:14
🎵 4221 characters
⏱️ 8:14 duration
🆔 ID: 13945665

📜 Lyrics

Senhores donos da casa, o "cantadô" pede licença
Pra puxar viola rasa, aqui na vossa presença
Venho das banda do norte
Com permissão da sentença
Cumpri minha sina forte
Já por muitos con'icida
Buscando a i'lusão da vida
Ou o cutelo da morte
E das duas a preferida
Há que me mandar a sorte

Já que 'nunciei quem sou
Deixo meu convite feito
Pra qualqué dos "cantadô"
Dos que se dá por respeito
Que aqui por acaso 'teja
Nessa função de alegria
E pra que todos me veja'
Puxo alto a cantoria
Com essa viola de peleja
Que quando n'mata-aleja "cantadô" de arrelia

Só na escada de uma igreja
Labutei quantos u'dia
Se morreram de inveja
Três de avexo e de agonia
Matei os bicho do-note
Que já me deu três mul'é
É a história de um caçote
Um quati e um saqué
O caçote com o pote
Com u'outro o quati, um café

Em-antes ofereceu o lote
Num saco pro saqué
O saqué secou o pote
Deixou o quati só com a fé
De que dentro do tal pote
Inda tinha algum café
Isso exposta manda um xote
No xavido do saque
Que quati ca-dica a sorte
Bato o bico e boto o bote
O que é que o saqué quer?

Em-antes porém aviso
Sô malvado, não aliso
Triste ou feliz é o "cantadô"
Queu-apanhar pra dar o castigo
A'pois quem canta comigo
Sai defunto ou sai "dotô"

Senhor "cantador" chegante, me "adesculpe" o tratamento
Nessa hora nesse instante, "mermo" aqui nesse momento
Com um canto tão significante
Sem fama sem atrevimento
Num duelo de falante
Venho de muito conhecimento
Mas pra títulos e valentia
Só traz u'a viola na mão
Falta ilustre companheiro
Marcar o lugar da porfia
Se lá fora no terreiro
Ou aqui me'mo no salão

Vamo logo mano à obra
Deixe as bestas de lado
Que a luma já fez manobra
No seu canto "alumiado"
Vamo seguir-sois daqui
Vai deixando esturricar
As roda dos cantori-lírio
E que lhe é mais agradado
Se vamo' cantar o moirão
O martelo ou a tirana
Ou a ligeira sussuarana
Parcela de mutirão
Ou entonce, ao invés
A obra de nove pés
De oito, sete, ou seis
Ou se dez pés, um quadrão

Vamo logo mano à obra
Deixe essas coisa de lado
Vamo cantar no salão
Dô mais riuna que a cobra
Que a cobra que traz o rabo encravado
Envenenado o ferrão

A'pois-sim, tá certo: vamo
Cantá' qualqué' cantoria
Brinquei-lhe em minha acamo
Pra rodá' a sabedoria
Vamo cantar, meu amigo
As moda que for chegando
Num correm, mas sem perigo
Que tá sempre esp'ricando
P'esse povo que eu digo
"Enducado" me escutan'o

A'pois pra entender parcela
Martelac-ou-quitirando
Tem que bater mil cancela
Na estrada dos desengano
E ainda pú-rrico, ah, tem
Que saber, sofrer, esperar
Me'mo sabendo que não vêm
As coisa do se' sonhá'
Na estrada dos desengano
Andei de noite e de dia
A'pois sim, tá certo: vamo
Cantá' qualqué' cantoria...

Na estrada dos desengano
Andei de noite e de dia
"Inludido" "percurando"
Aprende' o que 'num sabia
Quando eu era moço, um dia
Resolvi sair andando
Numa estrada da alegria
A alegria "percurando"
Corri doido, atrás dela
Entrou ano, saiu ano
Bati mais de mil cancela
Na estrada dos desengano
Bati mais de mil cancela
Na estrada dos desengano

Todo "cantadô" já arrentraro nos peito
D'uma-mazela-nas-alma-moribante-estrada: o som de
Cancela, ai

Todo "cantadô" já arrentraro nos peito
D'uma-mazela-nas-alma-moribante-estrada: o som de
Cancela, ai

Ai, fonte que ficou distante
Que matava a sede dela
E o coração mais discrente
Dos amor da catingueira
Ai o amor é uma serpente
Esse bicho morte a gente
Vamo'pois cantar pá cela
Va-e'-dá, da-e'-da

Eu sou cantador de cocô
Eu não canto a cela
Pa-cela feiticeira
Eu corro às legua dela, ah, ah
Chegando nu' lugar
Adonde tem janela
Eu vo' me "esculpano"
Me dan'o nas canela
Da-e'-da, da-i'-da, da-i'-na

Conheci um "cantadô" ossudo e valente
Que mandava aos homens o mal vezes crente
Mas um dia ele tocou nos batente d'u'a janela
E o bicho do amor mucambado e'u'a donzela
E o "cantadô" aos pouco foi se 'paixonan'o por ela
'Té que um dia ficô' louco de tanto cantar p'a cela
E hoje velho pela estrada, resmungando que é culpada
Ferrucama da janela, da-e'-dá, dá-'e- ná

Eu sou "cantadô" de coco
A'pois quem canta p'á cela
Corre o pisco São Francisco
Corre enquanto canta-nela
Dá-e'-na
Dá - e' - ná
Tá-ín-a

⏱️ Synced Lyrics

[00:00.05] Senhores donos da casa, o "cantadô" pede licença
[00:03.84] Pra puxar viola rasa, aqui na vossa presença
[00:11.60] Venho das banda do norte
[00:14.66] Com permissão da sentença
[00:16.61] Cumpri minha sina forte
[00:18.07] Já por muitos con'icida
[00:20.13] Buscando a i'lusão da vida
[00:21.48] Ou o cutelo da morte
[00:23.31] E das duas a preferida
[00:25.34] Há que me mandar a sorte
[00:28.61]
[00:36.22] Já que 'nunciei quem sou
[00:39.31] Deixo meu convite feito
[00:41.66] Pra qualqué dos "cantadô"
[00:43.66] Dos que se dá por respeito
[00:45.65] Que aqui por acaso 'teja
[00:47.61] Nessa função de alegria
[00:49.97] E pra que todos me veja'
[00:51.62] Puxo alto a cantoria
[00:53.99] Com essa viola de peleja
[00:55.83] Que quando n'mata-aleja "cantadô" de arrelia
[00:59.22] Só na escada de uma igreja
[01:01.27] Labutei quantos u'dia
[01:03.29] Se morreram de inveja
[01:05.30] Três de avexo e de agonia
[01:07.61] Matei os bicho do-note
[01:09.62] Que já me deu três mul'é
[01:11.62] É a história de um caçote
[01:13.51] Um quati e um saqué
[01:15.79] O caçote com o pote
[01:17.76] Com u'outro o quati, um café
[01:21.86] Em-antes ofereceu o lote
[01:23.24] Num saco pro saqué
[01:23.71] O saqué secou o pote
[01:24.97] Deixou o quati só com a fé
[01:25.91] De que dentro do tal pote
[01:27.12] Inda tinha algum café
[01:29.94] Isso exposta manda um xote
[01:31.24] No xavido do saque
[01:32.21] Que quati ca-dica a sorte
[01:33.35] Bato o bico e boto o bote
[01:35.18] O que é que o saqué quer?
[01:39.63] Em-antes porém aviso
[01:41.16] Sô malvado, não aliso
[01:42.75] Triste ou feliz é o "cantadô"
[01:44.99] Queu-apanhar pra dar o castigo
[01:46.82] A'pois quem canta comigo
[01:48.36] Sai defunto ou sai "dotô"
[01:50.70]
[02:13.07] Senhor "cantador" chegante, me "adesculpe" o tratamento
[02:16.95] Nessa hora nesse instante, "mermo" aqui nesse momento
[02:20.66] Com um canto tão significante
[02:22.60] Sem fama sem atrevimento
[02:24.57] Num duelo de falante
[02:26.73] Venho de muito conhecimento
[02:28.90] Mas pra títulos e valentia
[02:30.87] Só traz u'a viola na mão
[02:32.35] Falta ilustre companheiro
[02:34.02] Marcar o lugar da porfia
[02:36.30] Se lá fora no terreiro
[02:37.85] Ou aqui me'mo no salão
[02:41.82]
[02:54.91] Vamo logo mano à obra
[02:56.97] Deixe as bestas de lado
[02:58.81] Que a luma já fez manobra
[03:00.86] No seu canto "alumiado"
[03:02.98] Vamo seguir-sois daqui
[03:05.29] Vai deixando esturricar
[03:07.77] As roda dos cantori-lírio
[03:09.90] E que lhe é mais agradado
[03:11.83] Se vamo' cantar o moirão
[03:13.81] O martelo ou a tirana
[03:15.91] Ou a ligeira sussuarana
[03:18.08] Parcela de mutirão
[03:20.20] Ou entonce, ao invés
[03:22.35] A obra de nove pés
[03:24.35] De oito, sete, ou seis
[03:26.55] Ou se dez pés, um quadrão
[03:29.65] Vamo logo mano à obra
[03:31.28] Deixe essas coisa de lado
[03:33.02] Vamo cantar no salão
[03:35.22] Dô mais riuna que a cobra
[03:37.13] Que a cobra que traz o rabo encravado
[03:38.98] Envenenado o ferrão
[03:48.73] A'pois-sim, tá certo: vamo
[03:51.20] Cantá' qualqué' cantoria
[03:54.32] Brinquei-lhe em minha acamo
[03:57.23] Pra rodá' a sabedoria
[03:59.78] Vamo cantar, meu amigo
[04:01.97] As moda que for chegando
[04:04.45] Num correm, mas sem perigo
[04:06.69] Que tá sempre esp'ricando
[04:08.93] P'esse povo que eu digo
[04:11.07] "Enducado" me escutan'o
[04:13.96] A'pois pra entender parcela
[04:15.75] Martelac-ou-quitirando
[04:17.83] Tem que bater mil cancela
[04:20.25] Na estrada dos desengano
[04:22.34] E ainda pú-rrico, ah, tem
[04:24.70] Que saber, sofrer, esperar
[04:27.06] Me'mo sabendo que não vêm
[04:29.28] As coisa do se' sonhá'
[04:31.11] Na estrada dos desengano
[04:33.48] Andei de noite e de dia
[04:35.45] A'pois sim, tá certo: vamo
[04:37.81] Cantá' qualqué' cantoria...
[04:44.63] Na estrada dos desengano
[04:46.12] Andei de noite e de dia
[04:48.37] "Inludido" "percurando"
[04:50.39] Aprende' o que 'num sabia
[04:52.59] Quando eu era moço, um dia
[04:54.80] Resolvi sair andando
[04:56.82] Numa estrada da alegria
[04:59.03] A alegria "percurando"
[05:01.18] Corri doido, atrás dela
[05:03.25] Entrou ano, saiu ano
[05:05.54] Bati mais de mil cancela
[05:07.50] Na estrada dos desengano
[05:09.89] Bati mais de mil cancela
[05:11.62] Na estrada dos desengano
[05:16.43]
[05:26.78] Todo "cantadô" já arrentraro nos peito
[05:27.95] D'uma-mazela-nas-alma-moribante-estrada: o som de
[05:30.12] Cancela, ai
[05:33.51] Todo "cantadô" já arrentraro nos peito
[05:39.52] D'uma-mazela-nas-alma-moribante-estrada: o som de
[05:41.99] Cancela, ai
[05:48.17] Ai, fonte que ficou distante
[05:50.95] Que matava a sede dela
[05:56.34] E o coração mais discrente
[06:01.61] Dos amor da catingueira
[06:05.75] Ai o amor é uma serpente
[06:09.30] Esse bicho morte a gente
[06:12.28] Vamo'pois cantar pá cela
[06:15.16] Va-e'-dá, da-e'-da
[06:24.38] Eu sou cantador de cocô
[06:28.34] Eu não canto a cela
[06:30.18] Pa-cela feiticeira
[06:31.92] Eu corro às legua dela, ah, ah
[06:39.05] Chegando nu' lugar
[06:41.86] Adonde tem janela
[06:43.81] Eu vo' me "esculpano"
[06:45.45] Me dan'o nas canela
[06:47.55] Da-e'-da, da-i'-da, da-i'-na
[06:52.43] Conheci um "cantadô" ossudo e valente
[06:56.18] Que mandava aos homens o mal vezes crente
[07:03.64] Mas um dia ele tocou nos batente d'u'a janela
[07:07.99] E o bicho do amor mucambado e'u'a donzela
[07:11.62] E o "cantadô" aos pouco foi se 'paixonan'o por ela
[07:21.04] 'Té que um dia ficô' louco de tanto cantar p'a cela
[07:27.08] E hoje velho pela estrada, resmungando que é culpada
[07:30.55] Ferrucama da janela, da-e'-dá, dá-'e- ná
[07:37.63] Eu sou "cantadô" de coco
[07:41.13] A'pois quem canta p'á cela
[07:45.28] Corre o pisco São Francisco
[07:47.65] Corre enquanto canta-nela
[07:50.15] Dá-e'-na
[07:51.47] Dá - e' - ná
[07:52.82] Tá-ín-a
[07:56.71]

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