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Aquele Zaino

👤 Luiz Marenco 🎼 Luiz Marenco canta Noel Guarany ⏱️ 4:51
🎵 1982 characters
⏱️ 4:51 duration
🆔 ID: 14839854

📜 Lyrics

Entre os cavalos que eu tive
Ouve um zaino requeimado
Era bom como um pecado
De pata e rédea, um relampo
Bonito para um passeio
Garboso e atirando o freio
Em toda a lida de campo

Foi de fama, este pingaço
Arrocinado por mim
Orelhas grandes assim
Como pombas haraganas
Por seu galope hay tiranas
Que ainda se alembram de mim

Os grandes tiros de laço
Os de parar a Gauchada
E os pealos de escornada
Mais do que a vista e que ao braço
E os devia ao grande pingo

E quantas vezes, ringindo
Cincha, bastos, e caronas
Me levava às querendonas
Pelas tardes de domingo

Sentava-lhe um cogotilho
Fogoso para um floreio
Mansito para um idílio
Por noites de tempo feio
Certo no rumo ou no trilho
E até recordo um enterro
Em que um taura ia pra toca
Ao tranquito, acompanhando
Meu zaino ia se ladeando
Pra um selim de chinoca

Foi um amigo que eu tive
Este zaino requeimado
Só de lembrá-lo revive
Uma saudade importuna

Nele, firme no lombilho
Eu me sentia um caudilho
Nas vanguardas da coluna

Nos bailes, de madrugada
Ou mesmo n'algum bochincho
Preso ao palanque, alarmado
Chamava o dono enredado
Pelos clarins do relincho

Como a dizer, está na hora
Patrão, de voltar a estância
Já chega de extravagância
Amigo, vamos simbora
Logo as chilenas cantavam
O lenço e o pala ruflavam
E toaditas retrechavam
No galope estrada fora

Por tardes, cabeça erguida
Olhava ao longe desperto
Talvez sonhando a aventura
Da correria e a loucura
De algum sultão do deserto

Dos seus ancestrais, na Ibéria
De certo algum foi montado
Por alguém que não entangue
O tempo a memória de ouro
Batalhas de luso e mouro
Que ainda carrega no sangue

Às vezes corria à toa
Solto, em violento furor
Em tão tremendo atropelo
Tal se levasse de em pelo
Um guarany boleador

Lavado em suor, venta aberta
Uns olhos de javali
Estampa de alarma e alerta
Cogoti de buriti
Com as orelhas mais inquietas
Que gavião quiri-quiri
Como se um canhão tronasse
E o velho Osório o montasse
Nos campos de Tuiuti

⏱️ Synced Lyrics

[00:12.10] Entre os cavalos que eu tive
[00:14.87] Ouve um zaino requeimado
[00:17.43] Era bom como um pecado
[00:19.30] De pata e rédea, um relampo
[00:23.17] Bonito para um passeio
[00:25.45] Garboso e atirando o freio
[00:27.62] Em toda a lida de campo
[00:33.00] Foi de fama, este pingaço
[00:36.85] Arrocinado por mim
[00:40.51] Orelhas grandes assim
[00:44.47] Como pombas haraganas
[00:48.31] Por seu galope hay tiranas
[00:51.26] Que ainda se alembram de mim
[00:56.58] Os grandes tiros de laço
[00:58.99] Os de parar a Gauchada
[01:02.07] E os pealos de escornada
[01:04.50] Mais do que a vista e que ao braço
[01:08.33] E os devia ao grande pingo
[01:10.91] E quantas vezes, ringindo
[01:14.11] Cincha, bastos, e caronas
[01:18.78] Me levava às querendonas
[01:22.10] Pelas tardes de domingo
[01:27.65] Sentava-lhe um cogotilho
[01:30.05] Fogoso para um floreio
[01:32.45] Mansito para um idílio
[01:35.65] Por noites de tempo feio
[01:38.28] Certo no rumo ou no trilho
[01:40.92] E até recordo um enterro
[01:43.72] Em que um taura ia pra toca
[01:47.33] Ao tranquito, acompanhando
[01:50.68] Meu zaino ia se ladeando
[01:52.23] Pra um selim de chinoca
[01:56.70] Foi um amigo que eu tive
[01:59.82] Este zaino requeimado
[02:04.33] Só de lembrá-lo revive
[02:08.08] Uma saudade importuna
[02:11.87] Nele, firme no lombilho
[02:13.45] Eu me sentia um caudilho
[02:17.29] Nas vanguardas da coluna
[02:21.03] Nos bailes, de madrugada
[02:24.07] Ou mesmo n'algum bochincho
[02:27.56] Preso ao palanque, alarmado
[02:30.65] Chamava o dono enredado
[02:33.33] Pelos clarins do relincho
[02:37.16] Como a dizer, está na hora
[02:39.54] Patrão, de voltar a estância
[02:43.40] Já chega de extravagância
[02:45.46] Amigo, vamos simbora
[02:48.87] Logo as chilenas cantavam
[02:51.51] O lenço e o pala ruflavam
[02:55.38] E toaditas retrechavam
[02:57.85] No galope estrada fora
[03:01.71] Por tardes, cabeça erguida
[03:05.43] Olhava ao longe desperto
[03:08.71] Talvez sonhando a aventura
[03:10.97] Da correria e a loucura
[03:12.89] De algum sultão do deserto
[03:17.39] Dos seus ancestrais, na Ibéria
[03:19.79] De certo algum foi montado
[03:21.62] Por alguém que não entangue
[03:25.63] O tempo a memória de ouro
[03:29.28] Batalhas de luso e mouro
[03:30.75] Que ainda carrega no sangue
[03:36.54] Às vezes corria à toa
[03:38.80] Solto, em violento furor
[03:43.29] Em tão tremendo atropelo
[03:47.02] Tal se levasse de em pelo
[03:50.18] Um guarany boleador
[03:56.05] Lavado em suor, venta aberta
[03:58.82] Uns olhos de javali
[04:01.71] Estampa de alarma e alerta
[04:04.92] Cogoti de buriti
[04:06.39] Com as orelhas mais inquietas
[04:10.07] Que gavião quiri-quiri
[04:12.75] Como se um canhão tronasse
[04:20.34] E o velho Osório o montasse
[04:27.62] Nos campos de Tuiuti
[04:51.10]

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