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O Estrangeiro

👤 Caetano Veloso 🎼 Beleza Tropical 2: Novo! Mais! Melhor! ⏱️ 6:14
🎵 2327 characters
⏱️ 6:14 duration
🆔 ID: 16165325

📜 Lyrics

O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara
O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
A Baía de Guanabara
O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Baía de Guanabara
Pareceu-lhe uma boca banguela

E eu menos a conhecera, mais a amara
Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela
O amor é cego, Ray Charles é cego, Stevie Wonder é cego
E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem

Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem, uma arara
Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
Em que se passara, passa, passará o raro pesadelo
Que aqui começo a construir, sempre buscando o belo e o amaro

Eu não sonhei
A praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e óleo diesel sob meus tênis
E o Pão de Açúcar menos óbvio possível à minha frente
Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas

A áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura
Do branco das areia e das espumas
Que era tudo quanto havia então de aurora

Estão às minhas costas, um velho com cabelos nas narinas
E uma menina ainda adolescente e muito linda
Não olho pra trás mas sei de tudo
Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo

Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
Nem os dentes quase não púrpura da menina
Pense Seurat e pense impressionista
Essa coisa da luz nos brancos dentes e onda
Mas não pense surrealista que é outra onda

Eu ouço as vozes
Os dois me dizem
Num duplo som
Como que sampleados num sinclavier

É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do espírito Santo amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho, adulto, branco, sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos

E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
E entendo o centro do que estão dizendo
Aquele cara e aquela

É um desmascaro
Singelo grito
O rei está nú, mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú

E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo

Some may like a soft brazilian singer
But I've given up all attempts at perfection

⏱️ Synced Lyrics

[00:01.33] O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara
[00:09.11] O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
[00:16.22] A Baía de Guanabara
[00:22.13] O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Baía de Guanabara
[00:30.49]
[00:33.38] Pareceu-lhe uma boca banguela
[00:39.07] E eu menos a conhecera, mais a amara
[00:46.15] Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
[00:50.99] O que é uma coisa bela
[00:56.03] O amor é cego, Ray Charles é cego, Stevie Wonder é cego
[01:08.27] E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem
[01:14.46] Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem, uma arara
[01:22.35] Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
[01:28.70]
[01:30.93] Em que se passara, passa, passará o raro pesadelo
[01:36.17]
[01:39.55] Que aqui começo a construir, sempre buscando o belo e o amaro
[01:47.74] Eu não sonhei
[01:50.80] A praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e óleo diesel sob meus tênis
[01:56.66] E o Pão de Açúcar menos óbvio possível à minha frente
[02:01.17] Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas
[02:07.21] A áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura
[02:16.29] Do branco das areia e das espumas
[02:20.35] Que era tudo quanto havia então de aurora
[02:25.20]
[02:27.71] Estão às minhas costas, um velho com cabelos nas narinas
[02:35.64] E uma menina ainda adolescente e muito linda
[02:42.05]
[02:45.11] Não olho pra trás mas sei de tudo
[02:53.37] Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
[03:00.99] Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
[03:07.79] Nem os dentes quase não púrpura da menina
[03:12.39] Pense Seurat e pense impressionista
[03:16.32] Essa coisa da luz nos brancos dentes e onda
[03:20.73] Mas não pense surrealista que é outra onda
[03:28.98] Eu ouço as vozes
[03:31.25] Os dois me dizem
[03:35.44] Num duplo som
[03:38.90] Como que sampleados num sinclavier
[03:45.59] É chegada a hora da reeducação de alguém
[03:51.25]
[03:53.82] Do Pai do Filho do espírito Santo amém
[03:59.84]
[04:03.08] O certo é louco tomar eletrochoque
[04:07.54]
[04:11.45] O certo é saber que o certo é certo
[04:16.45]
[04:19.82] O macho, adulto, branco, sempre no comando
[04:24.85]
[04:28.21] E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
[04:36.82] Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
[04:43.17]
[04:45.19] Riscar os índios, nada esperar dos pretos
[04:53.48] E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
[04:59.95] Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
[05:04.34] E entendo o centro do que estão dizendo
[05:08.41] Aquele cara e aquela
[05:14.75] É um desmascaro
[05:18.81] Singelo grito
[05:23.98] O rei está nú, mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú
[05:32.96] E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
[05:41.18] E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo
[05:48.49]
[05:59.04] Some may like a soft brazilian singer
[06:05.54]
[06:08.38] But I've given up all attempts at perfection
[06:12.22]

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