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Fado Tropical

👤 Chico Buarque 🎼 Chico 50 Anos - O Político ⏱️ 4:13
🎵 1632 characters
⏱️ 4:13 duration
🆔 ID: 17546604

📜 Lyrics

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril

Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

"Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo (além da sífilis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."

Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical

E a linda mulata
Com rendas do alentejo
De quem numa bravata
Arrebata um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

"Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intenção e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadora à proa
Mas meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa"

Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre trás-os-montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um império colonial

⏱️ Synced Lyrics

[00:14.80] Oh, musa do meu fado
[00:18.28] Oh, minha mãe gentil
[00:21.93] Te deixo consternado
[00:24.30] No primeiro abril
[00:27.42]
[00:29.57] Mas não sê tão ingrata
[00:32.85] Não esquece quem te amou
[00:36.22] E em tua densa mata
[00:38.90] Se perdeu e se encontrou
[00:43.65] Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
[00:50.71] Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
[00:57.77] "Sabe, no fundo eu sou um sentimental
[01:02.21] Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo (além da sífilis, é claro)
[01:11.56] Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar
[01:17.38] Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..."
[01:40.09] Com avencas na caatinga
[01:43.97] Alecrins no canavial
[01:46.90] Licores na moringa
[01:49.33] Um vinho tropical
[01:53.71] E a linda mulata
[01:57.11] Com rendas do alentejo
[02:00.58] De quem numa bravata
[02:03.30] Arrebata um beijo
[02:07.75] Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
[02:14.85] Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
[02:21.75] "Meu coração tem um sereno jeito
[02:24.35] E as minhas mãos o golpe duro e presto
[02:27.78] De tal maneira que, depois de feito
[02:30.12] Desencontrado, eu mesmo me contesto
[02:33.92] Se trago as mãos distantes do meu peito
[02:36.73] É que há distância entre intenção e gesto
[02:39.58] E se o meu coração nas mãos estreito
[02:42.44] Me assombra a súbita impressão de incesto
[02:46.30] Quando me encontro no calor da luta
[02:48.42] Ostento a aguda empunhadora à proa
[02:51.33] Mas meu peito se desabotoa
[02:53.48] E se a sentença se anuncia bruta
[02:57.27] Mais que depressa a mão cega executa
[03:00.65] Pois que senão o coração perdoa"
[03:03.89] Guitarras e sanfonas
[03:06.93] Jasmins, coqueiros, fontes
[03:10.47] Sardinhas, mandioca
[03:13.06] Num suave azulejo
[03:17.15] E o rio Amazonas
[03:20.43] Que corre trás-os-montes
[03:24.25] E numa pororoca
[03:26.74] Deságua no Tejo
[03:30.90] Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
[03:38.06] Ainda vai tornar-se um império colonial
[03:45.07] Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
[03:51.81] Ainda vai tornar-se um império colonial
[03:55.70]

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