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Vou Dar de Beber À Dor

👤 Amália Rodrigues 🎼 Vou dar de beber à dor ⏱️ 2:28
🎵 1342 characters
⏱️ 2:28 duration
🆔 ID: 1915405

📜 Lyrics

Foi no domingo passado que passei
À casa onde viveu a Mariquinhas
Mas está tudo tão mudado
Que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuinhas

Do rés-do-chao ao telhado
Não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
E há um vidro quebrado e isolado
Onde havia as tabuinhas

Entrei e onde era a sala agora está
A secretária um sujeito que é lingrinhas
Mas não vi colchas com barras
Nem viola nem guitarra
Nem espreitadelas furtivas das vizinhas

O tempo cravou a garra
Na alma daquela casa
Onde às vezes petiscávamos sardinhas
Quando em noites de guitarra e de farra
Estava alegre a Mariquinhas

As janelas tão garridas que ficavam
Com cortinados de chita às pintinhas
Perderam de todo a graça
Porque é hoje uma vidraça
Com cercadura de lata às voltinhas

E lá prá dentro quem passa
Hoje é prá ir aos penhores
Entregar ao usuário umas coisinhas
Pois chega a esta desgraça toda a graça
Da casa da Mariquinhas

Para terem feito da casa o que fizeram
Melhor fora que a mandassem p'ras alminhas
Pois ser casa de penhor
O que foi viveiro de amor
É ideia que não cabe cá nas minhas

Recordações de calor
E das saudades o gosto
Que vou procurar esquecer numas ginjinhas
Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas

Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas

⏱️ Synced Lyrics

[00:11.30] Foi no domingo passado que passei
[00:15.01] À casa onde viveu a Mariquinhas
[00:18.00] Mas está tudo tão mudado
[00:19.41] Que não vi em nenhum lado
[00:20.92] As tais janelas que tinham tabuinhas
[00:23.20] Do rés-do-chao ao telhado
[00:25.13] Não vi nada, nada, nada
[00:26.75] Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
[00:29.00] E há um vidro quebrado e isolado
[00:31.72] Onde havia as tabuinhas
[00:34.29]
[00:44.92] Entrei e onde era a sala agora está
[00:48.05] A secretária um sujeito que é lingrinhas
[00:51.22] Mas não vi colchas com barras
[00:52.66] Nem viola nem guitarra
[00:54.10] Nem espreitadelas furtivas das vizinhas
[00:56.29] O tempo cravou a garra
[00:58.35] Na alma daquela casa
[00:59.78] Onde às vezes petiscávamos sardinhas
[01:02.39] Quando em noites de guitarra e de farra
[01:05.25] Estava alegre a Mariquinhas
[01:07.68]
[01:17.34] As janelas tão garridas que ficavam
[01:21.34] Com cortinados de chita às pintinhas
[01:24.24] Perderam de todo a graça
[01:25.94] Porque é hoje uma vidraça
[01:27.38] Com cercadura de lata às voltinhas
[01:29.84] E lá prá dentro quem passa
[01:31.51] Hoje é prá ir aos penhores
[01:32.87] Entregar ao usuário umas coisinhas
[01:35.32] Pois chega a esta desgraça toda a graça
[01:38.22] Da casa da Mariquinhas
[01:40.70]
[01:50.34] Para terem feito da casa o que fizeram
[01:54.36] Melhor fora que a mandassem p'ras alminhas
[01:57.27] Pois ser casa de penhor
[01:58.79] O que foi viveiro de amor
[02:00.48] É ideia que não cabe cá nas minhas
[02:02.42] Recordações de calor
[02:04.12] E das saudades o gosto
[02:06.08] Que vou procurar esquecer numas ginjinhas
[02:11.68] Pois dar de beber à dor é o melhor
[02:15.00] Já dizia a Mariquinhas
[02:18.71] Pois dar de beber à dor é o melhor
[02:21.66] Já dizia a Mariquinhas
[02:26.53]

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