negro drama
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⏱️ 6:52 duration
🆔 ID: 23238657
📜 Lyrics
Nego drama
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas, invejas, luxo, fama
Nego drama
Cabelo crespo e a pele escura
A ferida, a chaga, à procura da cura
Nego drama
Tenta ver e não vê nada
A não ser uma estrela
Longe, meio ofuscada
Sente o drama
O preço, a cobrança
No amor, no ódio, a insana vingança
Nego drama
Eu sei quem trama e quem tá comigo
O trauma que eu carrego
Pra não ser mais um preto fodido
O drama da cadeia e favela
Túmulo, sangue, sirene, choros e velas
Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia
Que sobrevivem em meio às honras e covardias
Periferias, vielas, cortiços
Você deve tá pensando
O que você tem a ver com isso?
Desde o início, por ouro e prata
Olha quem morre, então
Veja você quem mata
Recebe o mérito a farda que pratica o mal
Me ver pobre, preso ou morto já é cultural
Histórias, registros e escritos
Não é conto nem fábula, lenda ou mito
Não foi sempre dito que preto não tem vez?
Então olha o castelo e não
Foi você quem fez, cuzão
Eu sou irmão do meus truta de batalha
Eu era a carne, agora sou a própria navalha
Tim-tim, um brinde pra mim
Sou exemplo de vitórias, trajetos e glórias
O dinheiro tira um homem da miséria
Mas não pode arrancar de dentro dele a favela
São poucos que entram em campo pra vencer
A alma guarda o que a mente tenta esquecer
Olho pra trás, vejo a estrada que eu trilhei, mó cota
Quem teve lado a lado e quem só ficou na bota
Entre as frases, fases e várias etapas
Do quem é quem, dos mano e das mina fraca
Hum, nego drama de estilo
Pra ser, se for tem que ser
Se temer é milho
Entre o gatilho e a tempestade
Sempre a provar
Que sou homem e não um covarde
Que Deus me guarde, pois eu sei que ele não é neutro
Vigia os rico, mas ama os que vem do gueto
Eu visto preto por dentro e por fora
Guerreiro, poeta, entre o tempo e a memória
Ora, nessa história vejo dólar e vários quilates
Falo pro mano que não morra e também não mate
O tic-tac não espera, veja o ponteiro
Essa estrada é venenosa e cheia de morteiro
Pesadelo, hum, é um elogio
Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu
No clima quente, a minha gente sua frio
Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil, fuzil
Nego drama
Crime, futebol, música, carai'
Eu também não consegui fugir disso aí
Eu sou mais um
Forrest Gump é mato
Eu prefiro contar uma história real
Vou contar a minha
Daria um filme
Uma negra e uma criança nos braços
Solitária na floresta de concreto e aço
Veja, olha outra vez o rosto na multidão
A multidão é um monstro sem rosto e coração
Hei, São Paulo, terra de arranha-céu
A garoa rasga a carne, é a Torre de Babel
Família brasileira, dois contra o mundo
Mãe solteira de um promissor vagabundo
Luz, câmera e ação, gravando a cena vai
Um bastardo, mais um filho pardo sem pai
Hei, senhor de engenho, eu sei bem quem você é
Sozinho cê num guenta, sozinho cê num entra a pé
Cê disse que era bom e as favela ouviu
Lá também tem uísque, Red Bull, tênis Nike e fuzil
Admito, seus carro é bonito, é, e eu não sei fazer
Internet, videocassete, os carro loco
Atrasado, eu tô um pouco sim, tô, eu acho
Só que tem que
Seu jogo é sujo e eu não me encaixo
Eu sou problema de montão, de Carnaval a Carnaval
Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal
Problema com escola eu tenho mil, mil fita
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria; gíria não, dialeto
Esse não é mais seu, oh, subiu
Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu
Nóis é isso ou aquilo, o quê? Cê não dizia?
Seu filho quer ser preto, ah, que ironia
Cola o pôster do 2Pac aí, que tal? Que cê diz?
Sente o negro drama, vai, tenta ser feliz
Ei bacana, quem te fez tão bom assim?
O que cê deu, o que cê faz, o que cê fez por mim?
Eu recebi seu ticket, quer dizer kit
De esgoto a céu aberto e parede madeirite
De vergonha eu não morri, to firmão, eis-me aqui
Você não, cê não passa quando o mar vermelho abrir
Eu sou o mano, homem duro, do gueto, Brown, oba
Aquele loco que não pode errar
Aquele que você odeia amar nesse instante
Pele parda e ouço funk
E de onde vem os diamante? Da lama
Valeu mãe, negro drama (drama, drama, drama)
Aí, na época dos barraco de pau lá na Pedreira
Onde cês tavam?
Que que cês deram por mim?
Que que cês fizeram por mim?
Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho?
Agora tá de olho no carro que eu dirijo?
Demorou, eu quero é mais, eu quero até sua alma
Aí, o rap fez eu ser o que sou
Ice Blue, Edy Rock e KL Jay
E toda a família, e toda geração que faz o rap
A geração que revolucionou, a geração que vai revolucionar
Anos 90, século 21, é desse jeito
Aí, você sai do gueto
Mas o gueto nunca sai de você, morô irmão?
Cê tá dirigindo um carro
O mundo todo tá de olho 'ni você, morô?
Sabe por quê? Pela sua origem, morô irmão?
É desse jeito que você vive, é o negro drama
Eu num li, eu não assisti
Eu vivo o negro drama
Eu sou o negro drama
Eu sou o fruto do negro drama
Aí Dona Ana, sem palavra
A senhora é uma rainha, rainha
Mas aí, se tiver que voltar pra favela
Eu vou voltar de cabeça erguida
Porque assim é que é, renascendo das cinzas
Firme e forte, guerreiro de fé
Vagabundo nato!
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas, invejas, luxo, fama
Nego drama
Cabelo crespo e a pele escura
A ferida, a chaga, à procura da cura
Nego drama
Tenta ver e não vê nada
A não ser uma estrela
Longe, meio ofuscada
Sente o drama
O preço, a cobrança
No amor, no ódio, a insana vingança
Nego drama
Eu sei quem trama e quem tá comigo
O trauma que eu carrego
Pra não ser mais um preto fodido
O drama da cadeia e favela
Túmulo, sangue, sirene, choros e velas
Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia
Que sobrevivem em meio às honras e covardias
Periferias, vielas, cortiços
Você deve tá pensando
O que você tem a ver com isso?
Desde o início, por ouro e prata
Olha quem morre, então
Veja você quem mata
Recebe o mérito a farda que pratica o mal
Me ver pobre, preso ou morto já é cultural
Histórias, registros e escritos
Não é conto nem fábula, lenda ou mito
Não foi sempre dito que preto não tem vez?
Então olha o castelo e não
Foi você quem fez, cuzão
Eu sou irmão do meus truta de batalha
Eu era a carne, agora sou a própria navalha
Tim-tim, um brinde pra mim
Sou exemplo de vitórias, trajetos e glórias
O dinheiro tira um homem da miséria
Mas não pode arrancar de dentro dele a favela
São poucos que entram em campo pra vencer
A alma guarda o que a mente tenta esquecer
Olho pra trás, vejo a estrada que eu trilhei, mó cota
Quem teve lado a lado e quem só ficou na bota
Entre as frases, fases e várias etapas
Do quem é quem, dos mano e das mina fraca
Hum, nego drama de estilo
Pra ser, se for tem que ser
Se temer é milho
Entre o gatilho e a tempestade
Sempre a provar
Que sou homem e não um covarde
Que Deus me guarde, pois eu sei que ele não é neutro
Vigia os rico, mas ama os que vem do gueto
Eu visto preto por dentro e por fora
Guerreiro, poeta, entre o tempo e a memória
Ora, nessa história vejo dólar e vários quilates
Falo pro mano que não morra e também não mate
O tic-tac não espera, veja o ponteiro
Essa estrada é venenosa e cheia de morteiro
Pesadelo, hum, é um elogio
Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu
No clima quente, a minha gente sua frio
Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil, fuzil
Nego drama
Crime, futebol, música, carai'
Eu também não consegui fugir disso aí
Eu sou mais um
Forrest Gump é mato
Eu prefiro contar uma história real
Vou contar a minha
Daria um filme
Uma negra e uma criança nos braços
Solitária na floresta de concreto e aço
Veja, olha outra vez o rosto na multidão
A multidão é um monstro sem rosto e coração
Hei, São Paulo, terra de arranha-céu
A garoa rasga a carne, é a Torre de Babel
Família brasileira, dois contra o mundo
Mãe solteira de um promissor vagabundo
Luz, câmera e ação, gravando a cena vai
Um bastardo, mais um filho pardo sem pai
Hei, senhor de engenho, eu sei bem quem você é
Sozinho cê num guenta, sozinho cê num entra a pé
Cê disse que era bom e as favela ouviu
Lá também tem uísque, Red Bull, tênis Nike e fuzil
Admito, seus carro é bonito, é, e eu não sei fazer
Internet, videocassete, os carro loco
Atrasado, eu tô um pouco sim, tô, eu acho
Só que tem que
Seu jogo é sujo e eu não me encaixo
Eu sou problema de montão, de Carnaval a Carnaval
Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal
Problema com escola eu tenho mil, mil fita
Inacreditável, mas seu filho me imita
No meio de vocês ele é o mais esperto
Ginga e fala gíria; gíria não, dialeto
Esse não é mais seu, oh, subiu
Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu
Nóis é isso ou aquilo, o quê? Cê não dizia?
Seu filho quer ser preto, ah, que ironia
Cola o pôster do 2Pac aí, que tal? Que cê diz?
Sente o negro drama, vai, tenta ser feliz
Ei bacana, quem te fez tão bom assim?
O que cê deu, o que cê faz, o que cê fez por mim?
Eu recebi seu ticket, quer dizer kit
De esgoto a céu aberto e parede madeirite
De vergonha eu não morri, to firmão, eis-me aqui
Você não, cê não passa quando o mar vermelho abrir
Eu sou o mano, homem duro, do gueto, Brown, oba
Aquele loco que não pode errar
Aquele que você odeia amar nesse instante
Pele parda e ouço funk
E de onde vem os diamante? Da lama
Valeu mãe, negro drama (drama, drama, drama)
Aí, na época dos barraco de pau lá na Pedreira
Onde cês tavam?
Que que cês deram por mim?
Que que cês fizeram por mim?
Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho?
Agora tá de olho no carro que eu dirijo?
Demorou, eu quero é mais, eu quero até sua alma
Aí, o rap fez eu ser o que sou
Ice Blue, Edy Rock e KL Jay
E toda a família, e toda geração que faz o rap
A geração que revolucionou, a geração que vai revolucionar
Anos 90, século 21, é desse jeito
Aí, você sai do gueto
Mas o gueto nunca sai de você, morô irmão?
Cê tá dirigindo um carro
O mundo todo tá de olho 'ni você, morô?
Sabe por quê? Pela sua origem, morô irmão?
É desse jeito que você vive, é o negro drama
Eu num li, eu não assisti
Eu vivo o negro drama
Eu sou o negro drama
Eu sou o fruto do negro drama
Aí Dona Ana, sem palavra
A senhora é uma rainha, rainha
Mas aí, se tiver que voltar pra favela
Eu vou voltar de cabeça erguida
Porque assim é que é, renascendo das cinzas
Firme e forte, guerreiro de fé
Vagabundo nato!
⏱️ Synced Lyrics
[00:11.64] Nego drama
[00:13.07] Entre o sucesso e a lama
[00:14.97] Dinheiro, problemas, invejas, luxo, fama
[00:17.89] Nego drama
[00:18.93] Cabelo crespo e a pele escura
[00:21.03] A ferida, a chaga, à procura da cura
[00:23.78] Nego drama
[00:24.96] Tenta ver e não vê nada
[00:27.22] A não ser uma estrela
[00:28.87] Longe, meio ofuscada
[00:30.62] Sente o drama
[00:31.76] O preço, a cobrança
[00:33.30] No amor, no ódio, a insana vingança
[00:35.97] Nego drama
[00:37.13] Eu sei quem trama e quem tá comigo
[00:39.06] O trauma que eu carrego
[00:40.86] Pra não ser mais um preto fodido
[00:42.71] O drama da cadeia e favela
[00:45.39] Túmulo, sangue, sirene, choros e velas
[00:48.83] Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia
[00:51.82] Que sobrevivem em meio às honras e covardias
[00:54.87] Periferias, vielas, cortiços
[00:57.22] Você deve tá pensando
[00:59.03] O que você tem a ver com isso?
[01:01.24] Desde o início, por ouro e prata
[01:03.53] Olha quem morre, então
[01:05.69] Veja você quem mata
[01:07.19] Recebe o mérito a farda que pratica o mal
[01:10.29] Me ver pobre, preso ou morto já é cultural
[01:13.26] Histórias, registros e escritos
[01:16.16] Não é conto nem fábula, lenda ou mito
[01:18.83] Não foi sempre dito que preto não tem vez?
[01:22.44] Então olha o castelo e não
[01:23.94] Foi você quem fez, cuzão
[01:25.42] Eu sou irmão do meus truta de batalha
[01:28.57] Eu era a carne, agora sou a própria navalha
[01:31.78] Tim-tim, um brinde pra mim
[01:34.00] Sou exemplo de vitórias, trajetos e glórias
[01:37.74] O dinheiro tira um homem da miséria
[01:40.10] Mas não pode arrancar de dentro dele a favela
[01:43.37] São poucos que entram em campo pra vencer
[01:46.56] A alma guarda o que a mente tenta esquecer
[01:49.97] Olho pra trás, vejo a estrada que eu trilhei, mó cota
[01:53.17] Quem teve lado a lado e quem só ficou na bota
[01:55.93] Entre as frases, fases e várias etapas
[01:58.90] Do quem é quem, dos mano e das mina fraca
[02:02.03] Hum, nego drama de estilo
[02:04.80] Pra ser, se for tem que ser
[02:07.02] Se temer é milho
[02:08.33] Entre o gatilho e a tempestade
[02:11.14] Sempre a provar
[02:12.44] Que sou homem e não um covarde
[02:14.31] Que Deus me guarde, pois eu sei que ele não é neutro
[02:17.56] Vigia os rico, mas ama os que vem do gueto
[02:19.68] Eu visto preto por dentro e por fora
[02:22.66] Guerreiro, poeta, entre o tempo e a memória
[02:25.59] Ora, nessa história vejo dólar e vários quilates
[02:28.97] Falo pro mano que não morra e também não mate
[02:32.05] O tic-tac não espera, veja o ponteiro
[02:35.19] Essa estrada é venenosa e cheia de morteiro
[02:38.04] Pesadelo, hum, é um elogio
[02:40.72] Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu
[02:44.22] No clima quente, a minha gente sua frio
[02:47.48] Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil, fuzil
[02:51.67] Nego drama
[02:54.56]
[02:58.14] Crime, futebol, música, carai'
[03:02.46] Eu também não consegui fugir disso aí
[03:05.75] Eu sou mais um
[03:06.64] Forrest Gump é mato
[03:08.00] Eu prefiro contar uma história real
[03:10.46] Vou contar a minha
[03:14.61] Daria um filme
[03:15.97] Uma negra e uma criança nos braços
[03:18.33] Solitária na floresta de concreto e aço
[03:21.68] Veja, olha outra vez o rosto na multidão
[03:24.21] A multidão é um monstro sem rosto e coração
[03:27.54] Hei, São Paulo, terra de arranha-céu
[03:30.52] A garoa rasga a carne, é a Torre de Babel
[03:33.51] Família brasileira, dois contra o mundo
[03:36.76] Mãe solteira de um promissor vagabundo
[03:39.76] Luz, câmera e ação, gravando a cena vai
[03:42.75] Um bastardo, mais um filho pardo sem pai
[03:45.81] Hei, senhor de engenho, eu sei bem quem você é
[03:50.27] Sozinho cê num guenta, sozinho cê num entra a pé
[03:52.32] Cê disse que era bom e as favela ouviu
[03:54.79] Lá também tem uísque, Red Bull, tênis Nike e fuzil
[03:57.73] Admito, seus carro é bonito, é, e eu não sei fazer
[04:01.22] Internet, videocassete, os carro loco
[04:04.27] Atrasado, eu tô um pouco sim, tô, eu acho
[04:07.39] Só que tem que
[04:08.50] Seu jogo é sujo e eu não me encaixo
[04:10.21] Eu sou problema de montão, de Carnaval a Carnaval
[04:13.12] Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal
[04:16.32] Problema com escola eu tenho mil, mil fita
[04:19.40] Inacreditável, mas seu filho me imita
[04:22.39] No meio de vocês ele é o mais esperto
[04:25.46] Ginga e fala gíria; gíria não, dialeto
[04:28.66] Esse não é mais seu, oh, subiu
[04:31.75] Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu
[04:34.71] Nóis é isso ou aquilo, o quê? Cê não dizia?
[04:37.78] Seu filho quer ser preto, ah, que ironia
[04:40.71] Cola o pôster do 2Pac aí, que tal? Que cê diz?
[04:43.92] Sente o negro drama, vai, tenta ser feliz
[04:46.94] Ei bacana, quem te fez tão bom assim?
[04:49.84] O que cê deu, o que cê faz, o que cê fez por mim?
[04:52.81] Eu recebi seu ticket, quer dizer kit
[04:56.05] De esgoto a céu aberto e parede madeirite
[04:59.08] De vergonha eu não morri, to firmão, eis-me aqui
[05:02.23] Você não, cê não passa quando o mar vermelho abrir
[05:05.26] Eu sou o mano, homem duro, do gueto, Brown, oba
[05:08.45] Aquele loco que não pode errar
[05:11.19] Aquele que você odeia amar nesse instante
[05:14.32] Pele parda e ouço funk
[05:15.96] E de onde vem os diamante? Da lama
[05:18.47] Valeu mãe, negro drama (drama, drama, drama)
[05:24.55] Aí, na época dos barraco de pau lá na Pedreira
[05:29.26] Onde cês tavam?
[05:30.30] Que que cês deram por mim?
[05:31.47] Que que cês fizeram por mim?
[05:32.53] Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho?
[05:34.10] Agora tá de olho no carro que eu dirijo?
[05:35.97] Demorou, eu quero é mais, eu quero até sua alma
[05:38.35] Aí, o rap fez eu ser o que sou
[05:40.42] Ice Blue, Edy Rock e KL Jay
[05:42.60] E toda a família, e toda geração que faz o rap
[05:45.25] A geração que revolucionou, a geração que vai revolucionar
[05:48.41] Anos 90, século 21, é desse jeito
[05:51.67] Aí, você sai do gueto
[05:53.21] Mas o gueto nunca sai de você, morô irmão?
[05:55.16] Cê tá dirigindo um carro
[05:56.48] O mundo todo tá de olho 'ni você, morô?
[05:58.19] Sabe por quê? Pela sua origem, morô irmão?
[06:00.57] É desse jeito que você vive, é o negro drama
[06:02.80] Eu num li, eu não assisti
[06:04.23] Eu vivo o negro drama
[06:05.61] Eu sou o negro drama
[06:06.91] Eu sou o fruto do negro drama
[06:08.68] Aí Dona Ana, sem palavra
[06:10.80] A senhora é uma rainha, rainha
[06:13.75] Mas aí, se tiver que voltar pra favela
[06:15.65] Eu vou voltar de cabeça erguida
[06:17.25] Porque assim é que é, renascendo das cinzas
[06:19.65] Firme e forte, guerreiro de fé
[06:22.78] Vagabundo nato!
[06:23.72]
[00:13.07] Entre o sucesso e a lama
[00:14.97] Dinheiro, problemas, invejas, luxo, fama
[00:17.89] Nego drama
[00:18.93] Cabelo crespo e a pele escura
[00:21.03] A ferida, a chaga, à procura da cura
[00:23.78] Nego drama
[00:24.96] Tenta ver e não vê nada
[00:27.22] A não ser uma estrela
[00:28.87] Longe, meio ofuscada
[00:30.62] Sente o drama
[00:31.76] O preço, a cobrança
[00:33.30] No amor, no ódio, a insana vingança
[00:35.97] Nego drama
[00:37.13] Eu sei quem trama e quem tá comigo
[00:39.06] O trauma que eu carrego
[00:40.86] Pra não ser mais um preto fodido
[00:42.71] O drama da cadeia e favela
[00:45.39] Túmulo, sangue, sirene, choros e velas
[00:48.83] Passageiro do Brasil, São Paulo, agonia
[00:51.82] Que sobrevivem em meio às honras e covardias
[00:54.87] Periferias, vielas, cortiços
[00:57.22] Você deve tá pensando
[00:59.03] O que você tem a ver com isso?
[01:01.24] Desde o início, por ouro e prata
[01:03.53] Olha quem morre, então
[01:05.69] Veja você quem mata
[01:07.19] Recebe o mérito a farda que pratica o mal
[01:10.29] Me ver pobre, preso ou morto já é cultural
[01:13.26] Histórias, registros e escritos
[01:16.16] Não é conto nem fábula, lenda ou mito
[01:18.83] Não foi sempre dito que preto não tem vez?
[01:22.44] Então olha o castelo e não
[01:23.94] Foi você quem fez, cuzão
[01:25.42] Eu sou irmão do meus truta de batalha
[01:28.57] Eu era a carne, agora sou a própria navalha
[01:31.78] Tim-tim, um brinde pra mim
[01:34.00] Sou exemplo de vitórias, trajetos e glórias
[01:37.74] O dinheiro tira um homem da miséria
[01:40.10] Mas não pode arrancar de dentro dele a favela
[01:43.37] São poucos que entram em campo pra vencer
[01:46.56] A alma guarda o que a mente tenta esquecer
[01:49.97] Olho pra trás, vejo a estrada que eu trilhei, mó cota
[01:53.17] Quem teve lado a lado e quem só ficou na bota
[01:55.93] Entre as frases, fases e várias etapas
[01:58.90] Do quem é quem, dos mano e das mina fraca
[02:02.03] Hum, nego drama de estilo
[02:04.80] Pra ser, se for tem que ser
[02:07.02] Se temer é milho
[02:08.33] Entre o gatilho e a tempestade
[02:11.14] Sempre a provar
[02:12.44] Que sou homem e não um covarde
[02:14.31] Que Deus me guarde, pois eu sei que ele não é neutro
[02:17.56] Vigia os rico, mas ama os que vem do gueto
[02:19.68] Eu visto preto por dentro e por fora
[02:22.66] Guerreiro, poeta, entre o tempo e a memória
[02:25.59] Ora, nessa história vejo dólar e vários quilates
[02:28.97] Falo pro mano que não morra e também não mate
[02:32.05] O tic-tac não espera, veja o ponteiro
[02:35.19] Essa estrada é venenosa e cheia de morteiro
[02:38.04] Pesadelo, hum, é um elogio
[02:40.72] Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu
[02:44.22] No clima quente, a minha gente sua frio
[02:47.48] Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil, fuzil
[02:51.67] Nego drama
[02:54.56]
[02:58.14] Crime, futebol, música, carai'
[03:02.46] Eu também não consegui fugir disso aí
[03:05.75] Eu sou mais um
[03:06.64] Forrest Gump é mato
[03:08.00] Eu prefiro contar uma história real
[03:10.46] Vou contar a minha
[03:14.61] Daria um filme
[03:15.97] Uma negra e uma criança nos braços
[03:18.33] Solitária na floresta de concreto e aço
[03:21.68] Veja, olha outra vez o rosto na multidão
[03:24.21] A multidão é um monstro sem rosto e coração
[03:27.54] Hei, São Paulo, terra de arranha-céu
[03:30.52] A garoa rasga a carne, é a Torre de Babel
[03:33.51] Família brasileira, dois contra o mundo
[03:36.76] Mãe solteira de um promissor vagabundo
[03:39.76] Luz, câmera e ação, gravando a cena vai
[03:42.75] Um bastardo, mais um filho pardo sem pai
[03:45.81] Hei, senhor de engenho, eu sei bem quem você é
[03:50.27] Sozinho cê num guenta, sozinho cê num entra a pé
[03:52.32] Cê disse que era bom e as favela ouviu
[03:54.79] Lá também tem uísque, Red Bull, tênis Nike e fuzil
[03:57.73] Admito, seus carro é bonito, é, e eu não sei fazer
[04:01.22] Internet, videocassete, os carro loco
[04:04.27] Atrasado, eu tô um pouco sim, tô, eu acho
[04:07.39] Só que tem que
[04:08.50] Seu jogo é sujo e eu não me encaixo
[04:10.21] Eu sou problema de montão, de Carnaval a Carnaval
[04:13.12] Eu vim da selva, sou leão, sou demais pro seu quintal
[04:16.32] Problema com escola eu tenho mil, mil fita
[04:19.40] Inacreditável, mas seu filho me imita
[04:22.39] No meio de vocês ele é o mais esperto
[04:25.46] Ginga e fala gíria; gíria não, dialeto
[04:28.66] Esse não é mais seu, oh, subiu
[04:31.75] Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu
[04:34.71] Nóis é isso ou aquilo, o quê? Cê não dizia?
[04:37.78] Seu filho quer ser preto, ah, que ironia
[04:40.71] Cola o pôster do 2Pac aí, que tal? Que cê diz?
[04:43.92] Sente o negro drama, vai, tenta ser feliz
[04:46.94] Ei bacana, quem te fez tão bom assim?
[04:49.84] O que cê deu, o que cê faz, o que cê fez por mim?
[04:52.81] Eu recebi seu ticket, quer dizer kit
[04:56.05] De esgoto a céu aberto e parede madeirite
[04:59.08] De vergonha eu não morri, to firmão, eis-me aqui
[05:02.23] Você não, cê não passa quando o mar vermelho abrir
[05:05.26] Eu sou o mano, homem duro, do gueto, Brown, oba
[05:08.45] Aquele loco que não pode errar
[05:11.19] Aquele que você odeia amar nesse instante
[05:14.32] Pele parda e ouço funk
[05:15.96] E de onde vem os diamante? Da lama
[05:18.47] Valeu mãe, negro drama (drama, drama, drama)
[05:24.55] Aí, na época dos barraco de pau lá na Pedreira
[05:29.26] Onde cês tavam?
[05:30.30] Que que cês deram por mim?
[05:31.47] Que que cês fizeram por mim?
[05:32.53] Agora tá de olho no dinheiro que eu ganho?
[05:34.10] Agora tá de olho no carro que eu dirijo?
[05:35.97] Demorou, eu quero é mais, eu quero até sua alma
[05:38.35] Aí, o rap fez eu ser o que sou
[05:40.42] Ice Blue, Edy Rock e KL Jay
[05:42.60] E toda a família, e toda geração que faz o rap
[05:45.25] A geração que revolucionou, a geração que vai revolucionar
[05:48.41] Anos 90, século 21, é desse jeito
[05:51.67] Aí, você sai do gueto
[05:53.21] Mas o gueto nunca sai de você, morô irmão?
[05:55.16] Cê tá dirigindo um carro
[05:56.48] O mundo todo tá de olho 'ni você, morô?
[05:58.19] Sabe por quê? Pela sua origem, morô irmão?
[06:00.57] É desse jeito que você vive, é o negro drama
[06:02.80] Eu num li, eu não assisti
[06:04.23] Eu vivo o negro drama
[06:05.61] Eu sou o negro drama
[06:06.91] Eu sou o fruto do negro drama
[06:08.68] Aí Dona Ana, sem palavra
[06:10.80] A senhora é uma rainha, rainha
[06:13.75] Mas aí, se tiver que voltar pra favela
[06:15.65] Eu vou voltar de cabeça erguida
[06:17.25] Porque assim é que é, renascendo das cinzas
[06:19.65] Firme e forte, guerreiro de fé
[06:22.78] Vagabundo nato!
[06:23.72]