O Mergulhador
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📜 Lyrics
O mergulhador que tem como epígrafe
Um verso que eu acho maravilhoso do poeta Leopardi
Um verso desse maravilhoso poema também que se chama "O infinito"
E'l naufragare è dolce in questo mare
Eu gostaria de mencionar aqui um detalhe
Que para mim é muito importante
É que esse poema foi traduzido e maravilhosamente bem traduzido para o italiano
Por esse poeta que é também um poeta da altura de Leopardi
Que se chama José Pangareth
Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
No líquido luar tateiam a coisa a vir
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti
És a princípio doce plasma submarino
Flutuando ao sabor de súbitas correntes
Frias e quentes, substância estranha e íntima
De teor irreal e tato transparente
Depois teu seio é a infância, duna mansa
Cheia de alísios, marco espectral do istmo
Onde, a nudez vestida só de lua branca
Eu ia mergulhar minha face já triste
Nele soterro a mão como a cravei criança
Noutro seio de que me lembro, também pleno...
Mas não sei, o ímpeto deste é doído e espanta
O outro me dava vida, este me mete medo
Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
Na massa cintilante e convulsa de peixes
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas
E ponho-me a cismar, mulher, como te expandes
Que imensa és tu! Maior que o mar, maior que a infância
De coordenadas tais e horizontes tão grandes
Que assim imersa em amor és uma Atlântida
Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
Tenho-te em garra, olhas-me apenas
E ouço no tato acelerar-se-me o sangue
Na arritmia que faz meu corpo vil querer teu corpo moço
E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
Como o mar ao penhasco onde se atira insano
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre
Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
O imo do teu ser, o vórtice absoluto
Onde possa colher a grande flor da treva
Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
Na tua criação; amo-te as hastes tenras
Que sobem em suaves espirais adolescentes
E infinitas, de toque exato e frêmito
Amo-te os braços juvenis que abraçam
Confiantes meu criminoso desvario
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio
Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
E me afogar de amor e chorar e chorar
Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
Sob o oceano, oceanos, e além, a minha imagem
Por isso, isso e ainda mais que a poesia não ousa
Quando depois de muito mar, de muito amor
Emergido de ti, ah, que silêncio pousa
Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador
Um verso que eu acho maravilhoso do poeta Leopardi
Um verso desse maravilhoso poema também que se chama "O infinito"
E'l naufragare è dolce in questo mare
Eu gostaria de mencionar aqui um detalhe
Que para mim é muito importante
É que esse poema foi traduzido e maravilhosamente bem traduzido para o italiano
Por esse poeta que é também um poeta da altura de Leopardi
Que se chama José Pangareth
Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
No líquido luar tateiam a coisa a vir
Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti
És a princípio doce plasma submarino
Flutuando ao sabor de súbitas correntes
Frias e quentes, substância estranha e íntima
De teor irreal e tato transparente
Depois teu seio é a infância, duna mansa
Cheia de alísios, marco espectral do istmo
Onde, a nudez vestida só de lua branca
Eu ia mergulhar minha face já triste
Nele soterro a mão como a cravei criança
Noutro seio de que me lembro, também pleno...
Mas não sei, o ímpeto deste é doído e espanta
O outro me dava vida, este me mete medo
Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
Na massa cintilante e convulsa de peixes
Retiradas ao mar nas grandes redes pensas
E ponho-me a cismar, mulher, como te expandes
Que imensa és tu! Maior que o mar, maior que a infância
De coordenadas tais e horizontes tão grandes
Que assim imersa em amor és uma Atlântida
Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
Tenho-te em garra, olhas-me apenas
E ouço no tato acelerar-se-me o sangue
Na arritmia que faz meu corpo vil querer teu corpo moço
E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
Como o mar ao penhasco onde se atira insano
E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre
Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
O imo do teu ser, o vórtice absoluto
Onde possa colher a grande flor da treva
Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
Na tua criação; amo-te as hastes tenras
Que sobem em suaves espirais adolescentes
E infinitas, de toque exato e frêmito
Amo-te os braços juvenis que abraçam
Confiantes meu criminoso desvario
E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio
Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
E me afogar de amor e chorar e chorar
Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
Sob o oceano, oceanos, e além, a minha imagem
Por isso, isso e ainda mais que a poesia não ousa
Quando depois de muito mar, de muito amor
Emergido de ti, ah, que silêncio pousa
Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador
⏱️ Synced Lyrics
[00:00.96] O mergulhador que tem como epígrafe
[00:05.30] Um verso que eu acho maravilhoso do poeta Leopardi
[00:11.27] Um verso desse maravilhoso poema também que se chama "O infinito"
[00:15.93] E'l naufragare è dolce in questo mare
[00:20.80] Eu gostaria de mencionar aqui um detalhe
[00:25.17] Que para mim é muito importante
[00:26.25] É que esse poema foi traduzido e maravilhosamente bem traduzido para o italiano
[00:31.22] Por esse poeta que é também um poeta da altura de Leopardi
[00:34.10] Que se chama José Pangareth
[00:38.75] Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
[00:42.91] No líquido luar tateiam a coisa a vir
[00:47.77] Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
[00:51.21] Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti
[00:57.56] És a princípio doce plasma submarino
[01:00.68] Flutuando ao sabor de súbitas correntes
[01:02.49] Frias e quentes, substância estranha e íntima
[01:07.78] De teor irreal e tato transparente
[01:13.71] Depois teu seio é a infância, duna mansa
[01:17.13] Cheia de alísios, marco espectral do istmo
[01:21.61] Onde, a nudez vestida só de lua branca
[01:25.51] Eu ia mergulhar minha face já triste
[01:29.98] Nele soterro a mão como a cravei criança
[01:32.50] Noutro seio de que me lembro, também pleno...
[01:35.85] Mas não sei, o ímpeto deste é doído e espanta
[01:40.55] O outro me dava vida, este me mete medo
[01:48.15] Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
[01:51.45] Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
[01:54.48] Na massa cintilante e convulsa de peixes
[01:57.32] Retiradas ao mar nas grandes redes pensas
[02:01.52] E ponho-me a cismar, mulher, como te expandes
[02:05.73] Que imensa és tu! Maior que o mar, maior que a infância
[02:10.78] De coordenadas tais e horizontes tão grandes
[02:14.23] Que assim imersa em amor és uma Atlântida
[02:19.60] Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
[02:23.82] Tenho-te em garra, olhas-me apenas
[02:29.33] E ouço no tato acelerar-se-me o sangue
[02:34.19] Na arritmia que faz meu corpo vil querer teu corpo moço
[02:37.87] E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
[02:41.95] Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
[02:44.79] Como o mar ao penhasco onde se atira insano
[02:48.73] E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre
[02:53.57] Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
[02:57.96] Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
[03:01.35] O imo do teu ser, o vórtice absoluto
[03:05.03] Onde possa colher a grande flor da treva
[03:09.05] Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
[03:12.64] Na tua criação; amo-te as hastes tenras
[03:16.20] Que sobem em suaves espirais adolescentes
[03:19.16] E infinitas, de toque exato e frêmito
[03:25.17] Amo-te os braços juvenis que abraçam
[03:27.11] Confiantes meu criminoso desvario
[03:31.68] E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
[03:34.55] Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio
[03:39.41] Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
[03:44.53] Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
[03:47.51] E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
[03:51.07] E me afogar de amor e chorar e chorar
[03:56.49] Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
[03:59.09] Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
[04:04.29] Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
[04:07.52] Sob o oceano, oceanos, e além, a minha imagem
[04:15.13] Por isso, isso e ainda mais que a poesia não ousa
[04:20.68] Quando depois de muito mar, de muito amor
[04:26.15] Emergido de ti, ah, que silêncio pousa
[04:30.64] Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador
[04:40.11]
[00:05.30] Um verso que eu acho maravilhoso do poeta Leopardi
[00:11.27] Um verso desse maravilhoso poema também que se chama "O infinito"
[00:15.93] E'l naufragare è dolce in questo mare
[00:20.80] Eu gostaria de mencionar aqui um detalhe
[00:25.17] Que para mim é muito importante
[00:26.25] É que esse poema foi traduzido e maravilhosamente bem traduzido para o italiano
[00:31.22] Por esse poeta que é também um poeta da altura de Leopardi
[00:34.10] Que se chama José Pangareth
[00:38.75] Como, dentro do mar, libérrimos, os polvos
[00:42.91] No líquido luar tateiam a coisa a vir
[00:47.77] Assim, dentro do ar, meus lentos dedos loucos
[00:51.21] Passeiam no teu corpo a te buscar-te a ti
[00:57.56] És a princípio doce plasma submarino
[01:00.68] Flutuando ao sabor de súbitas correntes
[01:02.49] Frias e quentes, substância estranha e íntima
[01:07.78] De teor irreal e tato transparente
[01:13.71] Depois teu seio é a infância, duna mansa
[01:17.13] Cheia de alísios, marco espectral do istmo
[01:21.61] Onde, a nudez vestida só de lua branca
[01:25.51] Eu ia mergulhar minha face já triste
[01:29.98] Nele soterro a mão como a cravei criança
[01:32.50] Noutro seio de que me lembro, também pleno...
[01:35.85] Mas não sei, o ímpeto deste é doído e espanta
[01:40.55] O outro me dava vida, este me mete medo
[01:48.15] Toco uma a uma as doces glândulas em feixes
[01:51.45] Com a sensação que tinha ao mergulhar os dedos
[01:54.48] Na massa cintilante e convulsa de peixes
[01:57.32] Retiradas ao mar nas grandes redes pensas
[02:01.52] E ponho-me a cismar, mulher, como te expandes
[02:05.73] Que imensa és tu! Maior que o mar, maior que a infância
[02:10.78] De coordenadas tais e horizontes tão grandes
[02:14.23] Que assim imersa em amor és uma Atlântida
[02:19.60] Vem-me a vontade de matar em ti toda a poesia
[02:23.82] Tenho-te em garra, olhas-me apenas
[02:29.33] E ouço no tato acelerar-se-me o sangue
[02:34.19] Na arritmia que faz meu corpo vil querer teu corpo moço
[02:37.87] E te amo, e te amo, e te amo, e te amo
[02:41.95] Como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea
[02:44.79] Como o mar ao penhasco onde se atira insano
[02:48.73] E onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre
[02:53.57] Tenho-te e dou-me a ti válido e indissolúvel
[02:57.96] Buscando a cada vez, entre tudo o que enerva
[03:01.35] O imo do teu ser, o vórtice absoluto
[03:05.03] Onde possa colher a grande flor da treva
[03:09.05] Amo-te os longos pés, ainda infantis e lentos
[03:12.64] Na tua criação; amo-te as hastes tenras
[03:16.20] Que sobem em suaves espirais adolescentes
[03:19.16] E infinitas, de toque exato e frêmito
[03:25.17] Amo-te os braços juvenis que abraçam
[03:27.11] Confiantes meu criminoso desvario
[03:31.68] E as desveladas mãos, as mãos multiplicantes
[03:34.55] Que em cardume acompanham o meu nadar sombrio
[03:39.41] Amo-te o colo pleno, onda de pluma e âmbar
[03:44.53] Onda lenta e sozinha onde se exaure o mar
[03:47.51] E onde é bom mergulhar até romper-me o sangue
[03:51.07] E me afogar de amor e chorar e chorar
[03:56.49] Amo-te os grandes olhos sobre-humanos
[03:59.09] Nos quais, mergulhador, sondo a escura voragem
[04:04.29] Na ânsia de descobrir, nos mais fundos arcanos
[04:07.52] Sob o oceano, oceanos, e além, a minha imagem
[04:15.13] Por isso, isso e ainda mais que a poesia não ousa
[04:20.68] Quando depois de muito mar, de muito amor
[04:26.15] Emergido de ti, ah, que silêncio pousa
[04:30.64] Ah, que tristeza cai sobre o mergulhador
[04:40.11]