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O Estrangeiro

👤 Caetano Veloso 🎼 Estrangeiro ⏱️ 6:15
🎵 2327 characters
⏱️ 6:15 duration
🆔 ID: 7578069

📜 Lyrics

O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara
O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
A Baía de Guanabara
O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Baía de Guanabara
Pareceu-lhe uma boca banguela

E eu menos a conhecera, mais a amara
Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela
O amor é cego, Ray Charles é cego, Stevie Wonder é cego
E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem

Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem, uma arara
Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
Em que se passara, passa, passará o raro pesadelo
Que aqui começo a construir, sempre buscando o belo e o amaro

Eu não sonhei
A praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e óleo diesel sob meus tênis
E o Pão de Açúcar menos óbvio possível à minha frente
Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas

A áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura
Do branco das areia e das espumas
Que era tudo quanto havia então de aurora

Estão às minhas costas, um velho com cabelos nas narinas
E uma menina ainda adolescente e muito linda
Não olho pra trás mas sei de tudo
Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo

Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
Nem os dentes quase não púrpura da menina
Pense Seurat e pense impressionista
Essa coisa da luz nos brancos dentes e onda
Mas não pense surrealista que é outra onda

Eu ouço as vozes
Os dois me dizem
Num duplo som
Como que sampleados num sinclavier

É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai do Filho do espírito Santo amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho, adulto, branco, sempre no comando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos

E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
E entendo o centro do que estão dizendo
Aquele cara e aquela

É um desmascaro
Singelo grito
O rei está nú, mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú

E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo

Some may like a soft brazilian singer
But I've given up all attempts at perfection

⏱️ Synced Lyrics

[00:01.22] O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara
[00:08.93] O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
[00:16.21] A Baía de Guanabara
[00:21.98] O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Baía de Guanabara
[00:33.02] Pareceu-lhe uma boca banguela
[00:38.63] E eu menos a conhecera, mais a amara
[00:46.33] Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
[00:51.28] O que é uma coisa bela
[00:55.86] O amor é cego, Ray Charles é cego, Stevie Wonder é cego
[01:08.20] E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem
[01:13.84] Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem, uma arara
[01:22.39] Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
[01:30.98] Em que se passara, passa, passará o raro pesadelo
[01:39.68] Que aqui começo a construir, sempre buscando o belo e o amaro
[01:47.78] Eu não sonhei
[01:50.91] A praia de Botafogo era uma esteira rolante de areia branca e óleo diesel sob meus tênis
[01:56.54] E o Pão de Açúcar menos óbvio possível à minha frente
[02:01.28] Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas
[02:09.36] A áspera luz laranja contra a quase não luz quase não púrpura
[02:15.86] Do branco das areia e das espumas
[02:20.41] Que era tudo quanto havia então de aurora
[02:27.34] Estão às minhas costas, um velho com cabelos nas narinas
[02:35.63] E uma menina ainda adolescente e muito linda
[02:44.68] Não olho pra trás mas sei de tudo
[02:53.41] Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
[03:01.16] Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
[03:07.58] Nem os dentes quase não púrpura da menina
[03:12.33] Pense Seurat e pense impressionista
[03:16.60] Essa coisa da luz nos brancos dentes e onda
[03:20.86] Mas não pense surrealista que é outra onda
[03:27.16] Eu ouço as vozes
[03:31.51] Os dois me dizem
[03:35.78] Num duplo som
[03:39.18] Como que sampleados num sinclavier
[03:45.59] É chegada a hora da reeducação de alguém
[03:54.11] Do Pai do Filho do espírito Santo amém
[04:03.31] O certo é louco tomar eletrochoque
[04:11.83] O certo é saber que o certo é certo
[04:20.19] O macho, adulto, branco, sempre no comando
[04:28.26] E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
[04:36.73] Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
[04:45.13] Riscar os índios, nada esperar dos pretos
[04:53.55] E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
[05:00.21] Sigo mais sozinho caminhando contra o vento
[05:04.82] E entendo o centro do que estão dizendo
[05:08.84] Aquele cara e aquela
[05:14.91] É um desmascaro
[05:19.25] Singelo grito
[05:24.33] O rei está nú, mas eu desperto porque tudo cala frente ao fato de que o rei é mais bonito nú
[05:33.48] E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
[05:41.32] E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo
[05:48.99]
[05:59.34] Some may like a soft brazilian singer
[06:07.33] But I've given up all attempts at perfection
[06:13.14]

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