O Estrangeiro = The Stranger
🎵 2327 characters
⏱️ 6:16 duration
🆔 ID: 7693165
📜 Lyrics
O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara
O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
A Baía de Guanabara
O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara
Pareceu-lhe uma boca banguela
E eu, menos a conhecera, mais a amara?
Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela?
O amor é cego
Ray Charles é cego
Stevie Wonder é cego
E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem
Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem?
Uma arara?
Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
Em que se passara passa passará um raro pesadelo
Que aqui começo a contruir sempre buscando o belo e o Amaro
Eu não sonhei:
A praia de Botafogo era uma esteira
Rolante de areia branca e óleo diesel
Sob meus tênis
E o Pão de Açúcar menos óbvio possível
À minha frente
Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas
À áspera luz laranja contra a quase não luz, quase não púrpura
Do branco das areias e das espumas
Que era tudo quanto havia então de aurora
Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas
E uma menina ainda adolescente e muito linda
Não olho pra trás mas sei de tudo
Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
Nem os dentes quase-não-púrpura da menina
(Pense Seurat e pense impressionista
Essa coisa da luz nos brancos dente e onda
Mas não pense surrealista que é outra onda)
E ouço as vozes
Os dois me dizem
Num duplo som
Como que sampleados num Synclavier:
"É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai, do Filho, do Espírito Santo, amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho adulto branco sempre no commando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos"
E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contar o vento
E entendo o centro do que estão dizendo
Aquele cara e aquela:
É um desmascaro
Singelo grito:
"O rei está nu"
Mas eu desperto porque tudo cala
Frente ao fato de que o rei é mais bonito nu
E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo
("Some may like a soft brazilian singer
But I've given up all attempts at perfection")
O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
A Baía de Guanabara
O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara
Pareceu-lhe uma boca banguela
E eu, menos a conhecera, mais a amara?
Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
O que é uma coisa bela?
O amor é cego
Ray Charles é cego
Stevie Wonder é cego
E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem
Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem?
Uma arara?
Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
Em que se passara passa passará um raro pesadelo
Que aqui começo a contruir sempre buscando o belo e o Amaro
Eu não sonhei:
A praia de Botafogo era uma esteira
Rolante de areia branca e óleo diesel
Sob meus tênis
E o Pão de Açúcar menos óbvio possível
À minha frente
Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas
À áspera luz laranja contra a quase não luz, quase não púrpura
Do branco das areias e das espumas
Que era tudo quanto havia então de aurora
Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas
E uma menina ainda adolescente e muito linda
Não olho pra trás mas sei de tudo
Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
Nem os dentes quase-não-púrpura da menina
(Pense Seurat e pense impressionista
Essa coisa da luz nos brancos dente e onda
Mas não pense surrealista que é outra onda)
E ouço as vozes
Os dois me dizem
Num duplo som
Como que sampleados num Synclavier:
"É chegada a hora da reeducação de alguém
Do Pai, do Filho, do Espírito Santo, amém
O certo é louco tomar eletrochoque
O certo é saber que o certo é certo
O macho adulto branco sempre no commando
E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
Riscar os índios, nada esperar dos pretos"
E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
Sigo mais sozinho caminhando contar o vento
E entendo o centro do que estão dizendo
Aquele cara e aquela:
É um desmascaro
Singelo grito:
"O rei está nu"
Mas eu desperto porque tudo cala
Frente ao fato de que o rei é mais bonito nu
E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo
("Some may like a soft brazilian singer
But I've given up all attempts at perfection")
⏱️ Synced Lyrics
[00:03.58] O pintor Paul Gauguin amou a luz da Baía de Guanabara
[00:09.95] O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
[00:16.74] A Baía de Guanabara
[00:22.50] O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara
[00:33.89] Pareceu-lhe uma boca banguela
[00:39.42] E eu, menos a conhecera, mais a amara?
[00:46.68] Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
[00:51.25] O que é uma coisa bela?
[00:56.42] O amor é cego
[01:01.21] Ray Charles é cego
[01:07.62] Stevie Wonder é cego
[01:09.29] E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem
[01:14.17] Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem?
[01:20.75] Uma arara?
[01:22.94] Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
[01:31.41] Em que se passara passa passará um raro pesadelo
[01:40.15] Que aqui começo a contruir sempre buscando o belo e o Amaro
[01:48.20] Eu não sonhei:
[01:51.58] A praia de Botafogo era uma esteira
[01:54.06] Rolante de areia branca e óleo diesel
[01:57.48] Sob meus tênis
[01:59.94] E o Pão de Açúcar menos óbvio possível
[02:02.28] À minha frente
[02:06.52] Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas
[02:09.96] À áspera luz laranja contra a quase não luz, quase não púrpura
[02:16.76] Do branco das areias e das espumas
[02:20.92] Que era tudo quanto havia então de aurora
[02:28.35] Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas
[02:35.75] E uma menina ainda adolescente e muito linda
[02:45.73] Não olho pra trás mas sei de tudo
[02:55.18] Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
[03:02.44] Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
[03:09.19] Nem os dentes quase-não-púrpura da menina
[03:13.82] (Pense Seurat e pense impressionista
[03:17.64] Essa coisa da luz nos brancos dente e onda
[03:22.18] Mas não pense surrealista que é outra onda)
[03:28.35] E ouço as vozes
[03:32.63] Os dois me dizem
[03:36.93] Num duplo som
[03:40.48] Como que sampleados num Synclavier:
[03:47.05] "É chegada a hora da reeducação de alguém
[03:55.35] Do Pai, do Filho, do Espírito Santo, amém
[04:04.57] O certo é louco tomar eletrochoque
[04:12.92] O certo é saber que o certo é certo
[04:21.41] O macho adulto branco sempre no commando
[04:29.71] E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
[04:38.34] Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
[04:46.66] Riscar os índios, nada esperar dos pretos"
[04:54.72] E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
[05:01.62] Sigo mais sozinho caminhando contar o vento
[05:05.93] E entendo o centro do que estão dizendo
[05:09.91] Aquele cara e aquela:
[05:16.27] É um desmascaro
[05:20.52] Singelo grito:
[05:25.03] "O rei está nu"
[05:27.63] Mas eu desperto porque tudo cala
[05:29.88] Frente ao fato de que o rei é mais bonito nu
[05:34.55] E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
[05:42.79] E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo
[06:00.74] ("Some may like a soft brazilian singer
[06:08.99] But I've given up all attempts at perfection")
[06:14.07]
[00:09.95] O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela
[00:16.74] A Baía de Guanabara
[00:22.50] O antropólogo Claude Lévi-Strauss detestou a Baía de Guanabara
[00:33.89] Pareceu-lhe uma boca banguela
[00:39.42] E eu, menos a conhecera, mais a amara?
[00:46.68] Sou cego de tanto vê-la, de tanto tê-la estrela
[00:51.25] O que é uma coisa bela?
[00:56.42] O amor é cego
[01:01.21] Ray Charles é cego
[01:07.62] Stevie Wonder é cego
[01:09.29] E o albino Hermeto não enxerga mesmo muito bem
[01:14.17] Uma baleia, uma telenovela, um alaúde, um trem?
[01:20.75] Uma arara?
[01:22.94] Mas era ao mesmo tempo bela e banguela a Guanabara
[01:31.41] Em que se passara passa passará um raro pesadelo
[01:40.15] Que aqui começo a contruir sempre buscando o belo e o Amaro
[01:48.20] Eu não sonhei:
[01:51.58] A praia de Botafogo era uma esteira
[01:54.06] Rolante de areia branca e óleo diesel
[01:57.48] Sob meus tênis
[01:59.94] E o Pão de Açúcar menos óbvio possível
[02:02.28] À minha frente
[02:06.52] Um Pão de Açúcar com umas arestas insuspeitadas
[02:09.96] À áspera luz laranja contra a quase não luz, quase não púrpura
[02:16.76] Do branco das areias e das espumas
[02:20.92] Que era tudo quanto havia então de aurora
[02:28.35] Estão às minhas costas um velho com cabelos nas narinas
[02:35.75] E uma menina ainda adolescente e muito linda
[02:45.73] Não olho pra trás mas sei de tudo
[02:55.18] Cego às avessas, como nos sonhos, vejo o que desejo
[03:02.44] Mas eu não desejo ver o terno negro do velho
[03:09.19] Nem os dentes quase-não-púrpura da menina
[03:13.82] (Pense Seurat e pense impressionista
[03:17.64] Essa coisa da luz nos brancos dente e onda
[03:22.18] Mas não pense surrealista que é outra onda)
[03:28.35] E ouço as vozes
[03:32.63] Os dois me dizem
[03:36.93] Num duplo som
[03:40.48] Como que sampleados num Synclavier:
[03:47.05] "É chegada a hora da reeducação de alguém
[03:55.35] Do Pai, do Filho, do Espírito Santo, amém
[04:04.57] O certo é louco tomar eletrochoque
[04:12.92] O certo é saber que o certo é certo
[04:21.41] O macho adulto branco sempre no commando
[04:29.71] E o resto ao resto, o sexo é o corte, o sexo
[04:38.34] Reconhecer o valor necessário do ato hipócrita
[04:46.66] Riscar os índios, nada esperar dos pretos"
[04:54.72] E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
[05:01.62] Sigo mais sozinho caminhando contar o vento
[05:05.93] E entendo o centro do que estão dizendo
[05:09.91] Aquele cara e aquela:
[05:16.27] É um desmascaro
[05:20.52] Singelo grito:
[05:25.03] "O rei está nu"
[05:27.63] Mas eu desperto porque tudo cala
[05:29.88] Frente ao fato de que o rei é mais bonito nu
[05:34.55] E eu vou e amo o azul, o púrpura e o amarelo
[05:42.79] E entre o meu ir e o do sol, um aro, um elo
[06:00.74] ("Some may like a soft brazilian singer
[06:08.99] But I've given up all attempts at perfection")
[06:14.07]